terça-feira, 25 de setembro de 2012


Eles nada entendem

Eles não entendem o mundo onde habito
Não entendem o que vejo
Não entendem meus olhares desconfiados
Que na verdade é um mero olhar de quem quer se afogar em tudo que é feito de ternura

Eles não entendem a minha voz trêmula
O meu sorriso aberto, minha boa intenção
Cobram de mim coragem, mas eles nem entendem
Por nada entenderem, me pareço uma incógnita

Observam meu jeito diferente de me relacionar
Que por dentro tem uma facilidade incrível em perceber os olhares diretos com afeto
Não entendem o meu passo dado de forma tão difícil
Muito menos o que ganho com isso

Pouco entendem o meu desejo incontido de amar profundamente
Nem quando posso ser distante, quando tenho dúvidas, quando sou insegura

Quando sou um quase nada nessa esfera de água
Borbulhando em mares distantes
Afogando em algas
Virando uma sereia misteriosa
Só querendo encostar na pele e me debruçar na mais doce entrega de alma

Eles não entendem o meu acarinhar
Nem a lágrima de tristeza quando percebo o vazio daquilo que há
Mas por algum motivo não está.

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